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Descubra como a nova taxa de juros de 14,5% impacta você!

Gabriel Aires
Atualizado em: 29 de abril de 2026 7:10 pm
Gabriel Aires
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Mesmo com as tensões de guerra no Oriente Médio, o Banco Central (BC) efetuou a segunda redução consecutiva nas taxas de juros. Por unanimidade, o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu diminuir a Taxa Selic, que é a taxa básica da economia, em 0,25 ponto percentual, totalizando 14,5% ao ano. Esta decisão foi antecipada pelo mercado financeiro.

Sumário
InflaçãoCrédito mais barato

De junho de 2025 até março deste ano, a Selic se manteve em 15% ao ano, um patamar que não era visto há quase duas décadas. O Copom havia cortado os juros na reunião anterior, em um cenário com inflação em queda. Contudo, o conflito no Oriente Médio, que resultou em altas nos preços de combustíveis e alimentos, complica as ações do Copom.

O Copom contará com um número reduzido de membros, pois os mandatos dos diretores de Organização do Sistema Financeiro, Renato Gomes, e de Política Econômica, Paulo Pichetti, se encerraram no final de 2025. Até o presente momento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não enviou as nomeações dos novos diretores ao Congresso Nacional.

Nesta reunião mensal, mais uma ausência se fará notar. Na terça-feira (28), o Banco Central comunicou que o diretor de Administração, Rodrigo Teixeira, estará ausente devido ao falecimento de um familiar de primeiro grau.

Em um comunicado, o Copom não deu indicações sobre a futura movimentação dos juros. A nota destacou que está avaliando o conflito no Oriente Médio e as possíveis consequências de uma prolongação desse cenário sobre a inflação.

“Atualmente, as projeções inflacionárias estão mais distantes da meta para o período relevante da política monetária. Simultaneamente, a incerteza em relação a essas previsões aumentou substancialmente, devido à falta de clareza sobre a duração dos conflitos e os impactos sobre as variáveis dos modelos de projeção considerados”, salientou o texto.

Inflação

A Selic funciona como o principal recurso do Banco Central para controlar a inflação oficial, que é medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). A prévia da inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) subiu para 0,89% em abril. No acumulado de 12 meses, o índice aumentou para 4,37%, em comparação a 3,9% em março.

Os dados completos do IPCA de abril serão divulgados no dia 12 de maio.

De acordo com o novo sistema de meta contínua, que entrou em vigor em janeiro de 2025, a meta de inflação a ser perseguida pelo BC, estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional, é de 3%, com uma faixa de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Assim, o limite inferior é 1,5% e o superior é 4,5%.

No modelo de meta contínua, a meta é avaliada mensalmente, levando em conta a inflação acumulada nos últimos 12 meses. Em abril de 2026, a inflação desde maio de 2025 será comparada com a meta e sua faixa de tolerância. Em maio de 2026, esse processo se repetirá, considerando os dados a partir de junho de 2025. Dessa forma, a verificação sucede ao longo do tempo, sem se limitar mais ao índice fechado de dezembro de cada ano.

No último Relatório de Política Monetária, divulgado no final de março pelo Banco Central, a autoridade monetária ajustou, de 3,5% para 3,6%, a previsão para o IPCA no ano de 2026, mas essa estimativa será reavaliada, considerando o comportamento do dólar e da inflação. A próxima edição desse relatório, que substitui o antigo Relatório de Inflação, será publicada no final de junho.

As expectativas do mercado se tornaram mais pessimistas. De acordo com o boletim Focus, uma pesquisa semanal com instituições financeiras publicada pelo BC, a inflação oficial deve encerrar o ano em 4,86%, acima do limite superior da meta, que é de 4,5%. Antes do início do conflito no Oriente Médio, as previsões do mercado eram de 3,95%.

Crédito mais barato

A diminuição da taxa Selic promove um impulso na economia. Isso ocorre porque juros mais baixos tornam o crédito mais acessível, incentivando a produção e o consumo. Por outro lado, taxas menores tornado o manejo da inflação mais desafiador. No último Relatório de Política Monetária, o Banco Central manteve em 1,6% a expectativa de crescimento da economia em 2026.

O mercado, por sua vez, projeta um crescimento ligeiramente melhor. De acordo com a última edição do boletim Focus, os economistas preveem uma expansão de 1,85% do PIB em 2026.

A taxa de juros básica é utilizada nas transações de títulos públicos no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) e serve como referência para as demais taxas de juros na economia. Ao ajustá-la para cima, o Banco Central controla o excesso de demanda que pressiona os preços, pois juros mais altos tornam o crédito mais caro e incentivam a poupança.

Com a redução das taxas de juros básicas, o Copom torna o crédito mais acessível e estimula tanto a produção quanto o consumo, mas isso pode prejudicar o controle da inflação. Para realizar um corte na Selic, a autoridade monetária deve estar confiante de que os preços estão sob controle e não estão em risco de aumento.

Fonte: Agência Brasil

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